Certa vez Jesus caminhando pela manhã encontrou uma figueira à beira do caminho. O texto declara que o Senhor teve fome e buscou entre as folhas da árvore os frutos para o seu desjejum, mas só havia folhas e por isto a árvore foi amaldiçoada por Jesus. A figueira secou e os discípulos ficaram admirados com o acontecimento e acredito que até hoje nós também nos admiramos com a atitude nada ecológica do Senhor. Jesus sempre ensinou aos discípulos e nada que ele fez foi por acaso e neste episódio também há um grande ensinamento. O texto nos mostra que Jesus queria falar de fé, mas de uma fé que movesse montanhas, fizesse milagres, movesse o céu em função da terra. Até aí tudo bem, mas porque secar a coitada da figueira? Pensando na passagem gostaria de meditar na realidade que é aparentar ser algo que não é, quando estamos em uma posição que se espera de nós algo que transcenda a aparência e que reflita a realidade daquilo para o que fomos chamados: sermos bênçãos. Estamos vivendo uma época de venda de imagens, onde encontramos com muitos doutores, pessoas que possuem um currículo invejável ao próprio Jesus, pessoas que falam tanto de si mesmas, em função de seus diplomas e méritos, que se tornaram deuses impossibilitados de convivência com meros mortais. Este tipo de comportamento tem se manifestado em certos movimentos triunfalistas, que já nem percebem como soberba e arrogância, o seu histórico curricular e títulos outorgados por instituições, segundo eles, renomadas internacionalmente, como se as coisas nacionais não prestassem, mas são títulos que só inferem nas coisas inerentes aos homens, sem nada contribuir para o Reino de Deus, quanto ao ganhar almas perdidas para o Senhor. Estes apologistas são portadores da mensagem de Jesus, mas não conhecem a Jesus, pois quando no caminho se perderam do Senhor, pois decidiram caminhar “solo”, crendo piamente estarem com o mestre e pior ainda, fazendo a obra do Reino. Aprendemos com o profeta jeremias que não é do homem que caminha, o seu caminho, portanto não podemos estar no caminho por nós mesmos, a não ser com a direção do Senhor, pois não é do homem que está no caminho o dirigir os próprios passos, pois estes são direcionados pelo Senhor, por isto o salmista nos incentiva a entregar o caminho ao Senhor, confiar nele, pois o mais, ele fará. Estas pessoas estão tão entretidas com os próprios caminhos que apesar da palavra ser de Deus, o evangelho ser de Jesus, a fé ser direcionada ao doador e consumidor, estão ainda perplexas consigo mesmas e não com o milagre de Deus. Acredito que uma igreja saudável cresça, pois é o Senhor que acrescenta a igreja os que estão sendo salvos, mas crescimento de igreja não testifica que o Senhor está neste negócio, pois muitas instituições que nada têm relacionado com Deus estão crescendo e nem por isto passam pelo crivo do evangelho, enfim crescimento explosivo, pode ser referente a uma estratégia de marketing, relacionamentos, lazer e moda sem ser proveniente do crescimento proporcionado pelo Espírito Santo. Jesus amaldiçoou a figueira, sem frutos, que estava à beira do caminho, pois o que se espera de uma figueira rente à estrada é encontrar frutos, principalmente quando ela apresenta tantas folhas torneando a sua silhueta, para que de longe percebamos que naquele lugar está uma árvore frutífera. A figueira sem frutos é a imagem da vida humana que se move pelas aparências destituída dos frutos provenientes da fé, pois embora aparente ser de Deus, tal qual a figueira aparentava ser figueira, em função das folhas, não produz este, frutos do Espírito, ostentando apenas na fachada que pertence a Deus, mas sem com isto abençoar aqueles que vez ou outra irão a seu encontro na tentativa de saborear os frutos que se espera de sua posição. Judas diz que estes estão nos nossas ágapes, comendo e bebendo conosco, mas são ovelhas sem pastor, pois se apascentam a si mesmos. Árvores em plena estação dos frutos, mas destituídos destes. Judas diz que estes são bajuladores por interesse e que andam segundo as suas ímpias paixões, promovendo divisões, sendo sensuais com aparência de santidade e não possuem o Espírito. Enfim estão falando de Deus, mas não possuem frutos de quem é de Deus. O episódio da figueira cheia de folhas, mas sem frutos, à beira do caminho reflete a vida de aparência destituída dos frutos, uma vida cheia de dons, serviços e obras, mas sem ter como objetivo principal o Reino de Deus, pois Jesus deu o exemplo de frutos, por isto ele estava no meio dos excluídos e marginalizados e não falava de si mesmo, antes os outros o exaltavam. Estar à beira do caminho não é o problema, pois estes que assim se encontram estão na trajetória de Jesus, que certamente os abençoará, o problema é aparentar frutos quando se está nesta geografia e esses frutos não refletirem o esperado por Jesus. O perigo de se viver uma espiritualidade carismática que apresente até mesmo caráter, não testifica possuir a fé, que é dom de Deus, pois esta não se pode obter por vontade própria, ou decorrente da participação denominacional, pois cedo ou tarde seremos encontrados por Jesus que requererá de nós os frutos independentes da estação própria, pois estes são oriundos do próprio Senhor, que preparou as obras para que andássemos nelas. Os discípulos precisavam entender que caminhar com Jesus é algo que vai além das aparências demarcadas pela religião, pois em sua época os homens sabiam tudo da religião, mas desaprenderam a viver no meio de gente, por isto o senhor se fez homem, para com a sua simplicidade, nos direcionar ao caminho da verdadeira espiritualidade, que não se impressiona com os títulos, ou aparência, pois entre os desesperançados, a beira do caminho, ele colocou os seus discípulos para frutificarem, tornando a vida dos desafortunados, objeto da misericórdia divina, quando se encontra em nós a mão poderosa do mestre. Os discípulos caminhavam com Jesus e aprendiam a necessidade do exercício da fé, pois se assim fosse poderiam dizer a um monte que se movesse, se este intento fosse motivado por uma vida que se movia em função de outras. A figueira representa uma vida destituída de frutos que no tempo certo encontrará o salário de maldição, muito embora proporcione a outros a idéia de injustiçados, pois foram interpretados erroneamente, segundo eles, pelo próprio Deus. Estar no caminho, á beira do caminho ou em descaminhos, não é tão importante quanto se caminhar motivado pelas obras, provenientes da fé que não se submete às formas, a religião, ao homem, mas somente ao Senhor que nos criou e convidou a caminhar aprendendo a cada dia segundo a fé proveniente dele mesmo. Deixemos então de valorizarmos as aparências e atentemos mais para o conteúdo de uma vida que frutifica, alegrando o coração do Pai, cuidando dos seus pequeninos, zelando pela integridade daqueles que encontramos pelo caminho, necessitados de amor e de misericórdia, para então podermos com alegria, atendermos pelo nome de discípulos, cristãos, crentes ou filhos de Deus.